ㅤBIOGRAPHYㅤLi Haoran nasceu há trinta anos no extremo sul da China, em uma região que, apesar de pertencente a uma Zona Recuperada, possuía um território onde as condições mudavam mais rápido do que as pessoas conseguiam se adaptar. A terra ali nunca era confiável: ora fértil demais, com crescimento descontrolado de fungos e vegetação mutante, ora estéril, envenenada por resíduos químicos e alterações no lençol freático. Seus pais eram agricultores, e insistiram em continuar sendo mesmo quando o mundo deixou claro que aquele modo de vida já não era mais possível. A infância de Haoran foi marcada por fome intermitente, deslocamentos forçados e pelo medo constante de que a próxima estação fosse a última.Sua afinidade elemental manifestou-se ainda criança, de forma discreta e quase invisível. Pequenos brotos surgiam onde ele passava mais tempo; raízes cresciam com mais vigor ao redor da casa improvisada da família; plantas que deveriam morrer resistiam por dias ou semanas a mais. No começo, ninguém falava sobre isso — dons chamavam atenção indesejada, e atenção podia significar recrutamento forçado ou separação familiar. Com o tempo, porém, tornou-se impossível ignorar. Em períodos de escassez, Haoran conseguia acelerar o crescimento de hortaliças simples, fortalecer fibras vegetais para improvisar abrigo ou conter a erosão do solo após tempestades violentas. Seu elemento nunca foi exuberante ou espetacular; sempre foi silencioso, funcional, voltado à sobrevivência.A adolescência trouxe perdas mais duras. Um surto severo de contaminação ambiental tornou a região definitivamente inviável, forçando evacuações emergenciais. A família de Haoran passou por campos de reassentamento supervisionados pela Tríade Mundial, onde recursos eram escassos e o futuro parecia sempre temporário. Foi nesse período que agentes do Departamento de Reconstrução identificaram oficialmente sua condição de Elemental. Haoran passou por exames neurológicos, entrevistas e testes de controle geométrico. Recebeu instruções básicas sobre a Ciência dos Círculos, mas também testemunhou seus riscos: viu Elementais mais velhos colapsarem por erro energético, falhas de cálculo ou simples exaustão física. Aquilo deixou uma marca profunda nele. Para Haoran, usar o próprio corpo como fonte nunca pareceu heroico; apenas perigoso.Quando atingiu a idade adulta, as opções eram limitadas. Permanecer em zonas instáveis significava viver de contratos temporários, ajuda humanitária e risco constante. A carreira militar, embora rígida e controlada, oferecia algo que ele nunca tivera: estabilidade. O salário regular, a moradia garantida, alimentação consistente e acesso a cuidados médicos pesaram mais do que qualquer discurso sobre dever ou glória. Ao se alistar, Haoran deixou claro que não desejava atuar na linha de frente nem em grandes operações de reconstrução. Sua relação com o próprio poder era pragmática, quase defensiva. Ele queria sobreviver, e ajudar sua família a sobreviver também.Durante o treinamento, destacou-se pela precisão e pelo autocontrole. Diferente de outros Elementais de Planta focados em crescimento acelerado ou recuperação ambiental em larga escala, Haoran demonstrava habilidade em contenção orgânica, reforço estrutural com fibras vegetais e neutralização silenciosa de ameaças biológicas. Essas características chamaram a atenção da Defesa Interna da Área 91, um departamento raramente escolhido por Elementais, mas estrategicamente interessado em capacidades não destrutivas. Após avaliações psicológicas rigorosas e testes de lealdade institucional, Haoran foi designado oficialmente para o setor.Na Área 91, sua rotina é marcada por vigilância constante, protocolos rígidos e uma sensação permanente de estar vivendo dentro de um limite invisível. Atua em reforços emergenciais de contenção, isolamento de materiais biológicos instáveis e apoio a equipes de segurança em incidentes internos. Seu elemento é usado com precisão cirúrgica: raízes que imobilizam sem matar, fibras que selam rachaduras antes que algo escape, crescimento controlado para absorver agentes contaminantes. Ele raramente participa de missões externas, e não sente falta disso.Fora do serviço, Haoran leva uma vida discreta no Setor Residencial. Mantém contato regular com a família, agora reassentada em uma Zona Recuperada sob supervisão da Tríade, enviando boa parte do salário para garantir que nunca mais passem pelo que ele passou. Em espaços autorizados, cultiva algumas plantas; não como hobby romântico, mas como exercício de controle e lembrança silenciosa de quem ele foi.